Muriqui o Pacífico Cara Preta

O muriqui vive em grupos sociais de até 35 indivíduos, incluindo vários machos e fêmeas adultas, existindo aparentemente grande variabilidade quanto à estrutura social e espaçamento intragrupal nas diferentes populações . Acredita-se que entre os muriquis exista uma organização social bastante fluida, onde machos e fêmeas apresentem sobreposição de áreas de uso, o que torna difícil a caracterização dos grupos e subgrupos que podem variar muito em sua composição.

Alguns estudos mostraram que uma porcentagem pequena do tempo da atividade diurna é gasto com interações sociais. Apesar disto, algumas categorias de comportamento social, especialmente os abraços, chamam a atenção pela sua intensidade. Abraços freqüentemente ocorrem quando são observados encontros entre muriquis, ou quando muriquis encontram animais de outras espécies; também ocorrem durante o encontro de tropas ou como uma forma de cumprimento ritualizado entre indivíduos que aparentemente se reconhecem , porém encontravam-se separados por algum tempo, reassegurando a mútua solidariedade. Abraços são também caracterizados pela alta freqüência em que os integrantes mutuamente o iniciam, mostrando que acontecem para que os indivíduos reatem suas relações fraternais.

Contudo apesar do pouco tempo dedicado a interações sociais, Muriquis adultos, ao contrario de outras espécies de primatas que vivem em grupos sociais compostos por indivíduos de ambos os sexos, muito raramente se engajam em interações agressivas, sendo considerado um extremo entre os primatas por sua baixa agressividade.

O muriqui apresenta grande tolerância entre indivíduos, e freqüentemente forrageiam, se locomovem e descansam em proximidade, sem que sejam observados indícios de competição direta. Isto é particularmente interessante entre os machos adultos do mesmo grupo que apesar de permanecerem próximos uns aos outros não se engajam em competições diretas, inclusive por fêmeas aptas a reprodução .

O sistema reprodutivo pode ser caracterizado como promíscuo . Fêmeas adultas no estro ( a fêmea durante a cópula emite uma vocalização e apresenta uma expressão facial característica.) são receptivas a todos os machos adultos do grupo, podendo copular com vários machos num curto espaço de tempo sem que haja monopólio ou tentativas de interrupção de cópula.

Esse comportamento os diferenciam dos primatas do velho mundo, mostrando uma estratégia comportamental particular, com um baixo índice de agressividade e um comportamento sexual diferenciado onde uma fêmea pode ser fertilizada por vários machos. São considerados os mais pacíficos dos primatas , e está criticamente ameaçado de extinção.

Mas porque esses primatas são tão diferentes dos outros, que vantagem evolutiva eles obtiveram para que esse comportamento fosse fixado, existem algumas teorias que tentam esclarecer essa dúvida:

  • O baixo teor calórico de sua dieta basicamente vegetariana implicaria em uma restrição energética para que os indivíduos participarem de interações sociais principalmente agressiva ???
  • Sua dieta variada e a maneira como os itens alimentares são distribuídas, pode possibilitar que indivíduos evitem competição direta alimentando-se em fontes alternativas ???
  • Devido ao seu tamanho e sua necessidade de distribuir seu peso, freqüentemente todos seus membros são utilizados incluindo a cauda, para se engajar em uma disputa mais acirrada poderia ocasionar uma queda que para um animal de pesado como o muriqui poderia causar sérios ferimentos ou até mesmo a morte ???

Entre os machos duas teorias podem ser ressaltadas:

  • Alto grau de consangüinidade, sendo eles parentes não haveria necessidade de competição pelas fêmeas.
  • Existe ainda a possibilidade da competição direta pelo acesso a fêmeas tenha sido substituído pela competição de esperma . Esta hipótese esta baseada no tamanho do saco escrotal de machos adultos, e na quantidade de esperma que escorre da cavidade vaginal das fêmeas após a copula.

Contudo outros estudos estão em andamento e muitos outros ainda serão projetados para solucionar esta questão. Torna-se de importância ressaltar que os estudos realizados nas diferentes populações de muriquis, seja em fragmentos florestais ou porções contínuas da Mata Atlântica fornecerão novos elementos ao conhecimento da espécie, de quais são e como atuam os diferentes fatores para que esta característica de baixa agressividade ocorra.