O gênero Brachyteles Spix, 1823 compreende duas espécies, B. arachnoides E. Geoffroy, 1806 e B. hypoxanthus Kuhl, 1820 (BICCA-MARQUES et al., 2006). São considerados os maiores macacos neotropicais (NISHIMURA, et al.1988; CHAVES, et al., 2006, IUCN/SSC), e atualmente reconhecidos como o segundo maior mamífero endêmico do Brasil (TALEBI, 2007). Podem ser encontrados do sul da Bahia ao norte do Paraná (PASSOS et al., 2006; AGUIRRE, 1971; MENDES, et al., no prelo).
As espécies possuem pelagem densa de cor marrom-amarelada. A face geralmente é desprovida de pêlos, algumas vezes apresentando manchas pigmentadas em volta do focinho. (NISHIMURA, et al.1988). Os machos chegam a pesar 15 Kg e medir 595 mm (comprimeto total da cabeça e corpo) e as fêmeas, 13 Kg e medir 573 mm. Uma característica do gênero é que tanto os jovens como os adultos de ambos os sexos projetam o abdômen, formando uma barriga devido, provavelmente, ao grande volume de folhas ingeridas volumosa (BICCA-MARQUES et al., 2006; NAPIER AND NAPIER, 1967 apud NISHIMURA, et al.1988). Os braços são longos e usualmente em forma de gancho, com polegar vestigial ou inexistente – uma característica importante para diferenciar as duas espécies (NISHIMURA, et al.1988). Cauda preênsil e longa, excedendo o comprimento do corpo, com terço final desnudo, servindo de superfície táctil. A fórmula dentária das espécies pertencentes a este gênero é i2/2, c1/1, pm 3/3, m3/3 = 36. Os machos possuem um escroto avantajado e as fêmeas um clitóris proeminente, o que facilita a identificação dos sexos (BICCA-MARQUES et al., 2006).
A dieta é herbívora, alimentando-se basicamente de folhas e frutos verdes e maduros. Não raro podem comer outras partes dos vegetais, como brotos, flores, sementes, néctar e casca de árvores além de alguns insetos (BICCA-MARQUES et al., 2006; TALEBI, 2005; AURICCHIO, 1995).
São sociais e seus grupos podem ser formados por algumas dezenas até centenas de indivíduos, sem uma dominância aparente de um macho, que convivem harmonicamente (STRIER 1993/1994). A quantidade de indivíduos parece determinar a área de vida, que pode ser desde pequenos fragmentos florestais até grandes florestas. Costumam se locomover em grupos onde os machos ocupam o centro e as fêmeas e filhotes ficam ao redor.
Habitam diversos tipos florestais, porém o maior número de registros é em matas secundárias em regeneração ja que praticamente nada se sabe de matas contínuas ou simplesmente naõ sobrou mata contínua suficiente de habitat natural da especie. A movimentação desses primatas parece estar ligada à disponibilidade de alimento, procurando áreas que proporcionam maior oferta de itens preferenciais como folhas novas, frutos e flores, podendo se dispersar até 1 km, sempre mantendo contato vocal (BICCA-MARQUES et al., 2006; AURICCHIO, 1995).
Brachyteles arachnoides E. Geoffroy, 1806
muriqui, muriqui-do-sul, mono-carvoeiro, mono, miriqui
Considerado o maior entre os primatas do continenteamericano. É endêmico da Floresta Tropical Atlântica e matas semi-decíduas adjacentes do sudeste do Brasil, são encontrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná (CHAVES, 2006; PASSOS et al., 2006; TALEBI et al., 2005; LORETTO & RAJÃO, 2005; AGUIAR, 2004; Melo et al., 2004; TALEBI, 1999).
Possui pelagem espessa e macia, predominantemente de cor bege por todo o corpo. Sua face é negra com contornos de anel de pêlos mais claros. A pele das mãos, pés e planta da cauda são negras (AURICCHIO, 1995). O polegar é ausente. Sua cauda é longa e preênsil, com o terço final desnudo. Tem braços e pernas longos e esguios. O adulto chega a medir 1,5 metro de altura e pesar 15 kg nos machos e as fêmeas atingem 12 Kg, sua cauda atinge um metro (TALEBI, 1999).
Sua dieta frugívora/folívora consiste de uma grande diversidade de itens, que vão desde folhas, frutas e flores a lianas e epífetas, variando pela disponibilidade sazonal (TALEBI et al., 2005; TALEBI, 1999; STRIER, 1991)
Em relação ao sistema reprodutivo, são promíscuos e as fêmeas copulam aleatoriamente com vários machos. Os machos são filopátricos, já as fêmeas saem de seus grupos a procura de um novo grupo por volta dos seis anos de idade, onde atingem a maturidade sexual e têm seus primeiros filhotes por volta dos 8 a 11 anos, idade que corresponde à maturidade sexual, podendo, inclusive, permutar de bandos o que facilita a variabilidade genética (AGUIAR, 2004; MELO et al., 2004; TALEBI, 1999). A gestação dura de 7 a 8 meses nascendo apenas um filhote por vez, este é carregado exclusivamente pela fêmea até os 8 meses em seu ventre, depois permanece nas costas até o desmame, que ocorre entre os 18 e 24 meses (BICCA-MARQUES et al., 2006; AURICCHIO, 1995; STRIER, 1986). O intervalo entre uma gestação e outra e de 2 a 3 anos e corresponde, geralmente, aos meses de seca. Vivem aproximadamente 20 anos (NISHIMURA, et al.1988).
Esta espécie possui hábitos diurnos, mas dormem boa parte do dia. Seu principal meio de locomoção é a braquiação através dos membros e mãos (TALEBI, 1999). Vive em grupos de tamanhos variados no estrato superior da floresta, sautando uma distância de até 10 metros entre as copas das árvores, mantendo sempre comunicação entre os integrantes (MENDES & ADES, 2004).
Consta da Lista Vermelha da IUCN na categoria em perigo crítico, como uma das 25 espécies de primatas mais ameaçados de extinção do mundo (IUCN, 2003).
Brachyteles hypoxanthus Kuhl, 1820
muriqui, muriqui-do-norte, mono-carvoeiro, mono, miriqui
São endêmicos da mata atlântica dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia (MOURTHÉ, 2006; STRIER, 1992); Exceto as matas da baixada do extremo sul da Bahia e norte do Espírito Santo (CHAVES, 2006; HIRSCH, A. et al. 2005; HIRSCH, 2002; AGUIRRE, 1971).
Considerados os maiores primatas neotropicais terrestres endêmicos brasileiros (MOURTHÉ et al., 2007; MOURTHÉ, 2006) Possui polegar vestigial e despigmentação incompleta nas regiões da face e períneo, principal diferença entre o B. hypoxanthus e B. arachnoides, além de provaveis diferenças genéticas (TALEBI et al., 2006).
Na dieta, o muriqui-do-norte inclui frutos, flores e outras partes vegetais, tais como casca
de árvores, brotos de bambu e néctar (BRITO & GRELLE, 2006; MOURTHÉ, 2006).
Em relação ao sistema reprodutivo, são semelhantes aos b. arachnoides. Possuem hábitos diurnos e de hábitos arborícolas (BRITO & GRELLE, 2006; EMMONS & FEER, 1997). Vivem em grupos de diferentes tamanhos, onde não se observa agressividade intragrupal (STRIER, 1992; STRIER et al.; 2002).
Consta da Lista Vermelha da IUCN na categoria em perigo crítico, como uma das 25 espécies de primatas mais ameaçados de extinção do mundo (IUCN, 2003).

Referências
1. Hill, W. C. O. Primates:Comparative Anatomy and Taxonomy (Edinburgh University, Edinburgh, 1962).
2. Hershkovitz, P. Living New World Monkeys (Platyrrhini) with an introduction to Primates. (University of Chicago Press, Chicago, USA, 1977).
3. Strier, K. B., Boubli, J. P., Possamai, C. B. & Mendes, S. L. Population demography of Northern muriquis (Brachyteles hypoxanthus) at the Estação Biologica de Caratinga/ Reserva particular do Patrimonio Natural-Feliciano Miguel Abdala, Minas Gerais, Brazil. American Journal of Physical Anthropology, 227-237 (2006).
4. Videan, E. N. Daytime resting-site selection in mantled howling monkeys (Alouatta palliata): Relative influences of feeding and comfort. American Journal of Physical Anthropology, 155-155 (2001).
5. Mittermeier, R. A., Coimbra-Filho, A. C. & Valle, C. M. C. A Conservacao Internacional de Primatas com enfase nos primatas da Mata Atlantica do Brasil. SBPR BeloHorizonte, 263-270 (1983).
6. Mittermeier, R. A. et al. Primates in peril: The world's 25 most Endangered primates, 2004-2006. . Primate Conservarion20, 1-28 (2006).
7. Strier, K. B. Population Viabilities and Conservation Implications for Muriquis (Brachyteles arachnoides) in Brazil's Atlantic Forest1. BIOTROPICA32, 903-913 (2000).
8. Strier, K. B. (Conservation International,, Washington, D.C., 2001).
9. Talebi, M., Affonso, A., Bastos, A. & Coles, R. in Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (ed. INPE) 2401-2403. (Goiânia, Brasil, 2005).
10. Talebi, M. Conservation research of southern muriqui (Brachyteles arachnoides) in São Paulo State, Brazil. . Neotropical Primates (no prelo).
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informações (Inglês)
O Muriqui é o tema da logomarca da Reserva
da biosfera da Mata Atlântica.