Comportamento

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Em contínua comunicação sonora ou visual entre os indivíduos, o muriqui vive em grupos no estrato superior da floresta, saltando uma distância de até 10 metros entre as copas das árvores. Habita diversos tipos florestais, sendo o maior número de registros em matas secundárias em regeneração, já que ainda pouco se sabe de sua ocorrência em matas contínuas ou, porque, simplesmente não restam contínuos de mata suficientes para manter o habitat natural da espécie.

A movimentação desses primatas parece estar ligada à disponibilidade de alimento, procurando áreas que proporcionam maior oferta de itens preferenciais como folhas novas, frutos e flores, podendo se dispersar até 1 km, sempre mantendo contato vocal. Possui hábitos diurnos, mas dormem boa parte do dia. Seu principal meio de locomoção é a braquiação, ou seja, através dos membros e mãos.

Vivem em grupos sociais de até 35 indivíduos, sem uma dominância aparente, convivendo harmoniosamente; os grupos incluem vários machos e fêmeas adultas, existindo aparentemente grande variabilidade quanto à estrutura social e espaçamento intragrupal nas diferentes populações.

Foto: Daniel da Silva Ferraz

Foto: Daniel da Silva Ferraz

A quantidade de indivíduos parece determinar a área de vida, que pode ser desde pequenos fragmentos florestais até grandes florestas. Costumam se locomover em grupos onde os machos ocupam o centro e as fêmeas e filhotes ficam ao redor. Acredita-se que entre os muriquis exista uma organização social bastante fluida, na qual machos e fêmeas apresentam sobreposição de áreas de uso, o que torna difícil a caracterização dos grupos e subgrupos, que podem variar muito em sua composição.

Alguns estudos mostraram que uma porcentagem pequena do tempo da atividade diurna é gasta com interações sociais. Apesar disto, algumas categorias de comportamento social, especialmente os abraços, chamam a atenção pela sua intensidade. Estes  frequentemente ocorrem quando são observados encontros entre muriquis, ou quando eles encontram animais de outras espécies; também, ocorrem durante o encontro de tropas ou como uma forma de cumprimento ritualizado entre indivíduos que aparentemente se reconhecem, porém encontravam-se separados por algum tempo, reassegurando a mútua solidariedade. Abraços são também caracterizados pela alta frequência em que os integrantes mutuamente o iniciam, mostrando que acontecem para que os indivíduos ressaltem suas relações fraternais.

Foto: Carla de Borba Possamai e Adriano Gambaribi - PAN Muriquis ICMBio

Foto: Carla de Borba Possamai e Adriano Gambaribi – PAN Muriquis ICMBio

Contudo apesar do pouco tempo dedicado a interações sociais, muriquis adultos, ao contrário de outras espécies de primatas que vivem em grupos sociais compostos por indivíduos de ambos os sexos, muito raramente se engajam em interações agressivas, sendo considerado um extremo entre os primatas por sua baixa agressividade – há um caso relatado em literatura: Intra-community coalitionary lethal attack of an adult male southern muriqui (Brachyteles arachnoides). Talebi, et. al 2009.

O muriqui apresenta grande tolerância entre indivíduos, e frequentemente forrageiam, se locomovem e descansam em proximidade, sem que sejam observados indícios de competição direta. Isto é particularmente interessante entre os machos adultos do mesmo grupo que apesar de permanecerem próximos uns aos outros não se engajam em competições diretas, inclusive por fêmeas aptas a reprodução.

O sistema reprodutivo pode ser caracterizado como promíscuo. Fêmeas adultas no estro são receptivas a todos os machos adultos do grupo, podendo copular com vários machos num curto espaço de tempo sem que haja monopólio ou tentativas de interrupção de cópula. A fêmea durante a cópula emite uma vocalização e apresenta uma expressão facial característica.  

A gestação dura de 7 a 8 meses nascendo apenas um filhote por vez, este é carregado exclusivamente pela fêmea até os 8 meses em seu ventre, depois permanece nas costas até o desmame, que ocorre entre os 18 e 24 meses. O intervalo entre uma gestação e outra é de 2 a 3 anos e corresponde, geralmente, aos meses de seca. Os machos são filopátricos, ou seja, permanecem em seus grupos de nascimento por toda a vida, já as fêmeas saem de seus grupos a procura de um novo grupo por volta dos seis anos de idade, onde atingem a maturidade sexual e têm seus primeiros filhotes por volta dos 8 a 11 anos. Vivem aproximadamente 20 anos.