Pacífico Cara Preta

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Brachyteles arachnoides – O muriqui-do-sul, ou monocarvoeiro, como também é conhecido, é o maior macaco do continente Americano.

Brachyteles arachnoides (Muriqui-do-sul) pertence à família Atelidae, gênero monotípico da subfamília Atelinae, à qual pertencem os gêneros Ateles sp. (Macaco-aranha), e Lagothrix sp. (Macaco-barrigudo).

O muriqui é o maior primata das Américas. Esta classificação se baseia em termos de tamanho corporal e também de acordo com a relação do tamanho relativo do cérebro em relação ao tamanho corporal. Os machos chegam a pesar 15 kg e medir 595 mm (comprimento total da cabeça e corpo) e as fêmeas, 13 Kg e medir 573 mm.

image040Possuem a pelagem espessa e macia, de cor marrom-amarelada. Sua face é negra e desprovida de pelos, algumas vezes apresentando despigmentações, com contornos de anel de pêlos mais claros. A pele das mãos, pés e planta da cauda são negras.

Uma característica do gênero é que tanto os jovens como os adultos de ambos os sexos projetam o abdômen, formando uma barriga, devido, provavelmente, ao grande volume de folhas ingeridas. Os braços são longos e usualmente em forma de gancho, com polegar vestigial ou inexistente – uma característica importante para diferenciar as duas espécies. A cauda é preênsil e longa, excedendo o comprimento do corpo, com terço final desnudo, servindo de superfície táctil. A fórmula dentária das espécies pertencentes a este gênero é i2/2, c1/1, pm 3/3, m3/3 = 36. Os machos possuem um escroto avantajado e as fêmeas um clitóris proeminente, o que facilita a identificação dos sexos.

Seu principal modo de locomoção é através da braquiação, realizada através dos membros e mãos alongadas, que é utilizada como gancho, em desempenhos de manipulação.

Apesar de alguns estudos que mostraram que uma porcentagem pequena do tempo da atividade diurna é gasto com interações sociais, especialmente os abraços chamam a atenção pela sua intensidade. Os muriquis adultos, ao contrario de outras espécies de primatas que vivem em grupos sociais compostos por indivíduos de ambos os sexos, muito raramente se engajam em interações agressivas, sendo considerado um extremo entre os primatas por sua baixa agressividade.

Particularmente interessante entre os machos adultos do mesmo grupo é que apesar de permanecerem próximos uns aos outros não se engajam em competições diretas, inclusive por fêmeas aptas a reprodução, podendo copular com vários machos num curto espaço de tempo sem que haja monopólio ou tentativas de interrupção de cópula. Caracterizando-se, então, seu sistema reprodutivo como promíscuo.

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Tais comportamentos os diferenciam dos primatas do velho mundo, mostrando uma estratégia comportamental particular, com um baixo índice de agressividade e um comportamento sexual diferenciado onde uma fêmea pode ser fertilizada por vários machos. São considerados os mais pacíficos dos primatas, e está criticamente ameaçado de extinção.

Mas, por que esses primatas são tão diferentes dos outros, e que vantagem evolutiva eles obtiveram para que esse comportamento fosse fixado? Existem algumas teorias que tentam esclarecer essa dúvida como:

  • O baixo teor calórico de sua dieta basicamente vegetariana implicaria em uma restrição energética para que os indivíduos participarem de interações sociais principalmente agressiva?
  • Sua dieta variada e a maneira como os itens alimentares são distribuídos pode possibilitar que indivíduos evitem competição direta alimentando-se em fontes alternativas?
  • Devido ao seu tamanho e sua necessidade de distribuir seu peso, frequentemente todos seus membros são utilizados incluindo a cauda, para se engajar em uma disputa mais acirrada poderia ocasionar uma queda que para um animal pesado como o muriqui poderia causar sérios ferimentos ou até mesmo a morte?

Entre os machos duas teorias podem ser ressaltadas:

  • Alto grau de consanguinidade, sendo eles parentes não haveria necessidade de competição pelas fêmeas.
  • A possibilidade da competição direta pelo acesso a fêmeas tenha sido substituído pela competição de esperma. Esta hipótese esta baseada no tamanho do saco escrotal de machos adultos, e na quantidade de esperma que escorre da cavidade vaginal das fêmeas após a copula.

Contudo estudos estão em andamento e ou serão projetados para solucionar esta questão. Torna-se de importância ressaltar que os estudos realizados nas diferentes populações de muriquis, seja em fragmentos florestais ou em porções contínuas da Mata Atlântica, fornecerão novos elementos ao conhecimento da espécie, de quais são e como atuam os diferentes fatores para que esta característica de baixa agressividade ocorra.